Conectados News
  • Início
  • A equipe
  • Reportagens
  • Colunas
  • Notícias
    • Editorias
      • Seção Cultura
      • Resenhas
      • Inside Fashion
      • SUA CARA
      • CN Business
      • Artigos
  • Contato

Vigiados pela polícia e pelo medo da morte, os moradores do Morro Dona Marta tentam sobreviver
 
Para aqueles que sobrevivem aos combates entre as facções e a brutalidade da polícia, é preciso lutar contra a falta de água, luz , saneamento básico e a pobreza. Os moradores do Dona Marta não dispõem das necessidades básicas no dia a dia. Apesar disso, Juliano VP revela-se crítico em relação à sociedade e suas formas de dominação, assim como seus ideais sobre cidadania e liberdade. Em meio a tiroteios diários e mortes constantes, laços de sociabilidade e identificação são formados. 

“Abusado - O dono do Morro Dona Marta'' é a terceira obra de Caco Barcellos, publicada em 2003. O livro reportagem é construído a partir de um caráter investigativo, retratando a vida de Juliano VP, nome fictício de Marcinho VP (Márcio Amaro de Oliveira), um dos traficantes mais conhecido da favela Dona Marta, no Rio de Janeiro. Revela, também, a trajetória de seus companheiros, a formação de quadrilhas e a guerra, morte, fugas e prisões que os cercam. 

A partir dos relatos de alguns integrantes e, principalmente, de Juliano VP, é reconstituído o caminho que permitiu a ocupação do morro pelo Comando Vermelho, principal facção criminosa no estado, a qual adota uma cruel e rígida disciplina. Faz-se possível, também, conhecer a história dos traficantes, sem os termos pejorativos que os acompanham quando o tema é abordado em espaços públicos. Barcellos mostra a realidade e os pensamentos dos integrantes da quadrilha, desde suas infâncias até a vida adulta - isso para aqueles que chegam a esta fase. Grande parte é vítima do mundo do crime ainda adolescente. 

O que move os traficantes desta geração é a vontade de poder, um desejo incessante de dominar o mundo. A brutalidade que permeia as relações das quadrilhas também são retratadas, nutridas de um vazio e de privações de diferentes âmbitos da vida. O autor não romantiza a vida dos integrantes das quadrilhas, mas expõe a história desconhecida, em especial pela mídia. Ele revela a pesada realidade do morro, sempre respeitando a ética jornalística, apesar da narrativa ser construída a partir da cumplicidade com a personagem principal, Juliano VP. 

O livro é dividido em três partes: Tempo de morrer, Tempo de viver e Adeus às armas. A primeira parte localiza-se nos anos 1990 e inicia retratando uma perseguição pelo grupo de Juliano VP, que fracassou. Depois relata a infância e adolescência de Juliano e da Turma da Xuxa, como era conhecido Juliano e seus amigos, passando desde o primeiro conflito para comandar o tráfico até a sua ascensão como “dono do morro”. 

Na segunda parte, é contada como foi a gravação do clipe de Michael Jackson, They Don’t Care About Us. Juliano VP acreditou que poderia ser um meio de expor a extrema pobreza e o descaso com os moradores da favela, assim como marcar a chegada de sua turma ao poder. Nesta parte, também é retratada como uma entrevista de Juliano concedida a três repórteres, os quais distorceram suas falas, fez com que repercutisse na mídia e a polícia procurasse por ele incansavelmente. A partir disso, são relatadas várias fugas, o que enfraquece seu poder no tráfico. 

A terceira e última parte conta como foram os encontros de Caco com o traficante, sendo narrado em primeira pessoa pelo jornalista. Nota-se a vontade de Juliano VP de abandonar o tráfico e mudar de vida. No entanto, o livro encerra-se com a prisão de Juliano e a morte de muitos de seus companheiros da mesma geração. 

A partir da narrativa do livro, é possível perceber como, mesmo inseridos em um ambiente permeado pela pobreza e pela criminalidade, os moradores do morro ajudam-se mutuamente com o intuito de melhorar suas vidas, sem receber apoio do Estado. O livro deu voz aos moradores das favelas, os quais, geralmente, são silenciados nas grandes mídias. Barcellos também contribuiu mostrando as situações de injustiça vivenciadas desde a década de 70 e as desigualdades entre o morro e a cidade, não apenas em relação às condições de vida, como também ao tratamento da polícia com as diferentes classes. 

Caco Barcellos é jornalista e escritor. Notabilizou-se pelo jornalismo investigativo, documentários e grandes reportagens sobre injustiça social e violência. Recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro “Rota 66” e “Abusado”. Desde 2006, é apresentador e diretor do Profissão Repórter. 

Ficha técnica: 
Autor: Caco Barcellos 
Editora: Record 
Páginas: 588 
Ano: 2009 
Gênero: Livro reportagem 

Por Ana Clara Marcondes. 
Até a próxima!

Pasmem: chegamos em dezembro de 2020!

Em um ano cheio de reviravoltas, em todos os sentidos, o mundinho do entretenimento continuou suas produções mesmo durante a pandemia. Cantores, atores e escritores fizeram com que fossemos bem servidos com conteúdos de qualidade. Desde o começo da minha coluna aqui, sempre disse que o mundo da música teria muito para dar neste ano, e deu! 

Vocês cansaram de ler os nomes de The Weeknd, Dua Lipa, Ariana Grande e Lady Gaga por aqui. Mas é porque o ano realmente foi deles. Eles estavam em todos os lugares. Seus nomes foram dados para não se esquecerem nem de ‘After Hours’, nem de ‘Future Nostalgia’, nem de ‘Positions’, e muito menos de ‘Chromatica’. Eles deram tudo que tinham e as recompensas vieram, com nomeações no Grammy (que, aliás, acho que vai ser um fiasco), premiações no VMA, AMA, EMA, recordes quebrados na Hot 100 da Billboard, no Spotify e em muitos outros lugares. 

Música é, e sempre foi, minha paixão. Amo estar sempre ligado nas novidades, nos grandes sucessos e nas polêmicas também (até porque, a gente gosta de uma boa fofoca, né?). Houveram produções que encheram os meus olhos e, com certeza, os de vocês também. Talvez eu não tenha falado da sua banda ou cantor favorito aqui, mas mesmo não sendo a sua praia (ou sendo muito a sua praia), eu espero que tenham gostado de ver tudo o que acontecia no mundo do pop pelos meus olhos. 

Mas, além do mundinho da indústria musical, o que de bom 2020 nos deu? Ótimas produções visuais, cheias de alegorias, representatividade e dedicação. Esse foi o ano de repensarmos tudo, tanto para quem produziu tudo o que vimos, quanto para nós. Mudamos nossos gostos musicais, nossos estilos de roupas, nosso novo jeito de trabalhar, tudo mudou. E, apesar de tantas coisas ruins ficarem nos cercando o tempo todo, nós chegamos aqui bem “alimentados” de produções intactas. 

O ano de 2020 me ensinou a não me prender, a ser mais livre com relação às coisas que gosto. Eu amo tudo isso, mas sinceramente, não sei o que esperar de 2021. Podem vir coisas melhores ainda neste quesito? Sim! 

Com toda certeza, a palavra deste ano foi adaptação. Pois, assim como eu mudei, você também mudou. Não somos mais os mesmos de janeiro. Começamos a ser mais críticos, olhar com um senso mais apurado. E isso não é bom, é maravilhoso! Abrir nossas cabeças para o que é novo nem sempre é ruim, pelo contrário, você acaba sendo uma pessoa mais plural. (Consegue me entender?!) 

Tenho muito para agradecer, principalmente à você, que me lê desde o começo. Tive meus altos e baixos dentro dessa “editoria”, onde havia semanas que eu tinha conteúdo de 200 assuntos diferentes e queria contar todos de uma vez e que mal me deixava dormir, já em outras, não tinha nada, estava esgotado no meu último. Mas a gratidão é o que permanece, não sei se este é o fim desta coluna, mas acredito que 2021 promete muita coisa boa. Fomos bem servidos e assegurados de ótimas músicas, filmes e séries e o principal, claro, chegamos aqui bem. 

Se cuida. A gente se vê por aí! ;)

Para onde nós vamos após a morte? Há algo além desse mundo? Diferentes culturas creem em diferentes mitos, que tentam explicar o que acontece com nossas almas depois que partimos. Fora as já tão populares, como Céu e Inferno, ou reencarnação, outras crenças menos conhecidas também são ricas em história, como as religiões latinas.

O sincretismo entre as antigas culturas asteca e maia com o cristianismo deu origem a celebração que é patrimônio imaterial da UNESCO: o Dia de Los Muertos. E o mundo veio a conhecer melhor dessa e de tantas outras tradições próprias do povo mexicano por meio da animação Viva - a vida é uma festa! 
Para se infiltrar no Mundo dos Mortos, Miguel precisou se maquiar como uma caveira
Essa obra de 2017 é, sem dúvidas, um dos mais notáveis projetos da Disney/Pixar. O delicado enredo resgata elementos importantes da cultura mexicana e não decepciona em seu apelo estético, trazendo cores, formas, músicas e referências culturais que remetem com primazia ao ambiente latino-americano. Figuras célebres do país tem suas aparições muito marcadas como uma breve reconstrução da história local. Além disso, vários Easter Eggs podem ser encontrados em cena, referenciando não somente o México, mas também outras produções da Pixar. Devo dizer que, após assistir a esse filme, a vontade de visitar o México só cresce! 

A divertida história começa no Dia de Los Muertos (uma espécie de Dia de Finados), quando o pequeno filho de sapateiros, Miguel, garoto vivo, se vê entre os mortos e sem ter como voltar para casa. Para realizar seu sonho de tocar música, Miguel furtara um violão do mausoléu de seu ídolo, o músico Ernesto de la Cruz. Mas ele não contava com as propriedades mágicas do instrumento, que o transportaram ao Mundo dos Mortos.
Esse é Dante, o fiel companheiro de Miguel em suas aventuras no além. Ele é um Xoloescuintle, raça de cachorro comum nas terras mexicanas
Lá no outro lado, o menino faz novos amigos - como o esqueleto Hector -, encontra seus entes falecidos e conhece tudo o que duvidava acerca da religião. Não apenas ele descobre a existência de um plano não material, mas também todos seus habitantes - as almas dos mortos e os Alebrijes, seres animalescos místicos que agem como anjos-da-guarda das pessoas. São essas entidades que o acompanharão em sua aventura no além e o ensinarão lições e valores que Miguel se recusava a aprender quando entre os vivos. 

Esse filme, apesar de lúdico e colorido, não é um mero entretenimento infantil. Ele trata com maturidade temas como morte, remorso, família e memória. Faz parte da cultura mexicana a valorização da memória familiar. Em sua crença, a alma da pessoa morta permanece presente, contanto que ela seja relembrada pelos vivos, e se partirá no momento em que for esquecida - daí o costume de montar altares com fotografias de seus antepassados. Afinal, conhecer o seu passado é conhecer a sua própria identidade. Essa preservação de lembranças é o ponto chave para as mais importantes cenas e canções do filme, aquelas que o farão se emocionar e, quem sabe, derrubar uma lagrimazinha por aqueles seus amados que já se foram. Lembre-se: enquanto houver uma chama de memória acesa, suas imagens ainda estarão vivas dentro de nós. Vida longa aos mortos!
Até mesmo a artista Frida Kahlo foi homenageada com uma aparição em forma de esqueleto
Quer conhecer um pouco mais desse filme e conferir muitas curiosidades e Easter Eggs que a Pixar guardou em Viva? Então não deixe de ouvir esse episódio do SE7ECast! 

 
E é assim que se encerra nossas colunas de 2020. A Seção Cultura fica por aqui e muito obrigada a todos que acompanharam. Eu e o Conectados News desejamos um bom Natal e próspero Ano Novo a todos, repleto de alegrias e, claro, filmes! Espero que tenham gostado e aguardamos todos de volta em 2021! 

#PraCegoVer 

Imagem 1: Close do rosto de Miguel maquiado como uma caveira. Miguel é um menino de rosto e olhos bem redondos. Tem olhos e cabelos castanhos. Sua pele está pintada de branca com marcas pretas que contornam seus olhos e nariz como sulcos do crânio, e a boca está desenhada como a arcada dentária. Ele usa um moletom vermelho com o capuz cobrindo a cabeça. Seu semblante é triste e preocupado. O fundo é escuro. 

Imagem 2: Cena de Miguel e Dante. Miguel está abaixado ao lado de Dante. O garoto está sem maquiagem e observa algo ao longe, feliz e fascinado. Usa camiseta branca, moletom vermelho, calça jeans e tênis escuros. Dante é um cachorro Xoloescuintle, cinzento e de pelo curto. Ele sorri com a língua pendurada para fora da boca e os olhos arregalados. Ambos estão sobre o chão coberto de pétalas de flores laranja que reluzem. Ao fundo, vários esqueletos vestidos como latino-americanos estão de costas, andando. É noite. 

Imagem 3: Cena de Frida Kahlo e suas pinturas. O esqueleto de Frida está de costas e ela olha em direção ao espectador por cima do ombro seriamente. Seu crânio está pintado com flores coloridas e uma monocelha grossa. Ela usa batom vermelho e um vestido alaranjado com detalhes geométricos em amarelo. Os cabelos são pretos e estão presos ao alto da cabeça com tranças, fitas e flores cor-de-rosa. Um pequeno macaco verde e amarelo está empoleirado em seu ombro, mostrando os dentes com olhos arregalados. Ao fundo à esquerda, um cavalete segura uma tela com a imagem de um mamão. À direita, outro cavalete apoia um autorretrato de Frida em meio a folhagens. Ela usa a mesma maquiagem, mas flores brancas na cabeça. Veste um manto púrpura e segura o macaco no colo. Outros dois macacos estão entre as folhas. O ambiente da cena é amplo, tem uma parede de tijolos a vista e uma cortina vermelha. 

Até a próxima!
Postagens mais recentes Postagens mais antigas Página inicial




Tecnologia do Blogger.



Conectados News

back to top

Copyright © Conectados News. Designed by OddThemes